Soliedariedade Feminina

rogerio3

Mulheres israelenses “contrabandeiam” palestinas em ato de desobediência civil

GUILA FLINT
DA BBC BRASIL, EM TEL AVIV

Em um ato premeditado de desobediência civil, mulheres israelenses violaram a chamada Lei de Entrada em Israel, que proíbe a entrada de palestinos, e “contrabandearam” mulheres palestinas para passear em Tel Aviv, expondo-se ao risco de uma pena de dois anos de prisão.

“Quando uma lei é desumana e racista, desobedecer torna-se uma obrigação moral”, disse à BBC Brasil Daphne Banai, uma das israelenses que participaram do ato de protesto.

12 jul 2010, 2:52pm
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by Lu Renata

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Substituição de Ricardo Resende na FUNARTE

CARTA ABERTA AO MINISTRO DA CULTURA JUCA FERREIRA
E AO PRESIDENTE DA FUNARTE SÉRGIO MAMBERTI
9 de julho de 2010

Excelentíssimo Senhor Ministro da Cultura,
Ilustríssimo Senhor Presidente da Funarte,

Em nome dos artistas visuais e profissionais da área, mobilizados nacionalmente, manifestamos nossa apreensão quanto à vacância na Direção do Centro de Artes Visuais, órgão que deve implementar a política ministerial deste segmento da cultura por meio da Funarte.

A partir do momento em que a classe artística respondeu positivamente à demanda desse Ministério, de legitimação das instâncias de participação da sociedade na elaboração das políticas públicas, entendemos que nosso envolvimento no processo deva ser ativo.

Nesse sentido, esperamos transparência no processo de escolha da nova direção e zelo da instituição quanto à formação e experiência da equipe de profissionais responsáveis pela coordenação e condução dos projetos e programas que participam de modo expressivo das políticas culturais do Ministério da Cultura, bem como sua capacidade de integração e interlocução com os artistas visuais.

Assim, solicitamos que a Direção do Centro de Artes Visuais da Funarte seja assumida por profissional qualificado, que tenha diálogo estabelecido com os artistas e notório comprometimento com todas as questões que vêm sendo levantadas e indicadas como prioritárias para e pela classe de artes visuais.

Confiantes na afirmação dos propósitos desse Ministério, permanecemos à disposição, apoiados pelos artistas visuais e profissionais da área, reunidos no Rio de Janeiro (RJ) em 5 de julho do corrente, seguidos das demais adesões da classe. Esta carta aberta circulará publicamente nas listas e fóruns regionais e nacionais de discussão das artes visuais.

Atenciosamente,

COLEGIADO SETORIAL DE ARTES VISUAIS
CONSELHO NACIONAL DE POLÍTICA CULTURAL

Para assinar clique aqui

31 mai 2010, 8:41pm
Notícias
by Lu Renata

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Rede de Produtores Culturais

encontro

Encontro de Fotógrafos Brasileiros

Profissionais de todo o país estiveram reunidos em Brasília durante quatro dias

O ministro da Cultura, Juca Ferreira, e o secretário executivo do MinC, Alfredo Manevy, estiveram neste domingo, 30 de maio, na solenidade de encerramento do I Encontro da Rede de Produtores Culturais da Fotografia no Brasil (I RPCFB), realizado em Brasília durante quatro dias, a partir da última quinta-feira, dia 27.

O primeiro grande encontro nacional reuniu, no Centro de Convenções Israel Pinheiro, fotógrafos e representantes de diversos festivais, galerias, museus, escolas e de outras iniciativas de todo o Brasil ligadas à fotografia.

Durante a cerimônia, o ministro Juca Ferreira reforçou a necessidade de reforma do modelo de fomento, para atender fotógrafos de todas as regiões do país. “É preciso que a fotografia esteja na sala de aula, nos museus, nos espaços públicos, nos encontros de cultura brasileira no exterior”, enfatizou.

Ele lembrou que, no começo dessa gestão, em 2003, durante encontros sobre artes visuais, alguns artistas do segmento não aceitavam a fotografia como arte. “A fotografia é um suporte importante, um limiar entre a realidade e a criação de uma maneira fantástica, sendo que alguns decolam mais para a criação, enquanto outros mantêm esse diálogo com a realidade, mesmo recriando e dando um sentido a nosso cotidiano”, expressou Juca Ferreira.

O secretário executivo Alfredo Manevy afirmou que, ainda este ano, o Ministério da Cultura deve lançar fundos setoriais para aumentar o investimento público direto nas artes e que o fundo das artes visuais vai injetar orçamento direto na produção fotográfica.

Políticas Públicas

O I Encontro da RPCFB teve como finalidade o debate de diversas questões, dentre elas, a elaboração de políticas públicas de desenvolvimento para o setor.

Outros temas interessantes envolveram a produção cultural da fotografia brasileira, destacando-se a fotografia sob o impacto das novas mídias, fotografia e inclusão sócio-cultural, fotografia e memória, além de gestão cultural nessa área. Ao final do encontro, foram apresentadas 200 propostas ao MinC.

A Rede de Produtores Culturais da Fotografia no Brasil foi criada em 2009, a partir da elaboração da Carta de Paraty, documento  extraído do 1º Encontro de Agitadores Culturais da Fotografia no Brasil, realizado durante a 5ª edição do Paraty em Foco. Em dezembro do ano passado, Iatã Cannabrava e outros representantes da RPCFB entregaram ao ministro Juca Ferreira, em Brasília, o documento. Saiba mais.

Atualmente, 95 iniciativas integram a Rede para fortalecimento do trabalho dos autores. Por meio da RPCFB são propostas ações de cooperação na formulação de políticas públicas capazes de difundir e consolidar a produção fotográfica no país. A pesquisa e o mapeamento da fotografia brasileira também fazem parte das principais pautas da agenda da rede.

Brasília 50 Anos - No dia da abertura do Encontro, o Ministério da Cultura, a Associação dos Fotógrafos Fototech e a Galeria Casa da Luz Vermelha apresentaram a exposição Brasília 50 Anos, dos fotógrafos Anderson Schneider, Cristiano Mascaro, Dorival Moreira, Samuel Cytrynowicz e Sérgio Jorge, com curadoria de Rosely Nakagawa, que estará em cartaz até 20 de junho, na Casa da Luz Vermelha (Clube da Asbac – SCES Trecho 2, Conjunto 31).

(Divulgação: Comunicação Social/MinC)

blog jornalístico

Veja em http://floripanafoto2010.blogspot.com/ a cobertura do evento realizada pelos alunos de jornalismo da Estácio:  Polyana Pallaoro, Ariana Ramos, Lalo Homrich, André Podiacky, André Podiacky, Kauana Pereira, Silveira, Romina Trebbi, Bruna Coelho, Aline Scatolin, coordenados pelo professor e jornalista Rogério Mosimann.

Belo trabalho!

16 mai 2010, 7:48pm
Notícias
by Lu Renata

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Floripa na Foto, você também faz parte…citando Nelson Leirner

blog

Foram meses de muito trabalho, algumas brigas, muitos cafés, algumas rizadas e  poucos desencantos.

Cada fio dessa trama foi cuidadosamente entrelaçado a outros fios e a outros fios que amarradinhos formaram esse tecido fotográfico que se desenrola nesta semana aqui em Florianópolis.

Você também está convidado…

Entrevista com Rogerio Ferrari

Malu Gil Entrevista Rogerio Ferrari um dos grandes fotógrafos presentes no Festival. Confira de perto no dia 19 de maio.

rogerio ferrari

O convidado que vem nos falar sobre Fotografia: Política, Ética, Estética é Rogério Ferrari, que trabalha como fotógrafo independente desenvolvendo o projeto Existências-Resistências, tema que retrata a luta por terra e autodeterminação de alguns povos e movimentos sociais. O projeto evidencia, através das imagens, publicação de livros, debates e exposições fotográficas, o lado desconhecido de conhecidos conflitos: Palestinos sob ocupação israelense; Curdos, na Turquia; Zapatistas no México; Movimento dos Sem-Terra no Brasil; refugiados palestinos no Líbano e na Jordânia; refugiados Saarauis no deserto do Saara e nos territórios ocupados pelo Marrocos; Mapuches no Chile, e os ciganos no Bahia. E retrata essas experiências em seu blog  http://rogerioferrari.wordpress.com/. Confira a entrevista:

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Em entrevista dada a um portal, você disse que não tinha muito dinheiro para financiar suas viagens e tinha que se hospedar na casa de pessoas dos povos que visitava. Qual o aprendizado tirado dessa convivência?

Todas as viagens foram feitas em condições básicas, mínimas. Esse limite cria situações que determinam o rumo do trabalho, desde utilizar uma quantidade pequena de filmes, a buscar formas alternativas de permanência. O limite, da mesma forma que restringe, é também o que determina e proporciona um resultado singular. Por exemplo, usando poucos filmes, temos que ter mais atenção, e ver e fotografar sem a compulsividade do click digital; de alguma forma já ir editando no momento do click. Sobre ficar ou não hospedado com as famílias, isso é indeterminado. O que ocorre, na verdade, é que encontro muita solidariedade. Isso possibilita encontros e apoios espontâneos. Sei que muitas fotos que fiz foram pela convivência, pela confiança e cumplicidade que estabeleci com as pessoas do lugar.

Você disse, também nessa entrevista que queria ficar longe da “retórica da arte pela arte”. Seu objetivo é chocar através das fotos. Por quê?

Não se trata disso. Quando publiquei o livro Palestina, A Eloquência do Sangue, que mostra a realidade dos palestinos sob invasão e massacre israelense, houve quem dissesse, comentando o trabalho, que era apelativo e desprovido de objetividade jornalística, porque era parcial, favorável aos palestinos. Ora, acaso, não devemos nos posicionar diante da vida? E, sobretudo, diante das injustiças? Acaso podemos tergiversar e estetizar a realidade de povos e pessoas violadas? Quando falo da arte pela arte como retórica, não é porque não reconheça a expressão artística como um sopro do espírito, e isso não tem carimbo ideológico. Mesmo assim, somos o tempo, e toda expressão humana é política. Se faço dois riscos, ou, se com um rigor técnico e estético crio belas imagens pelas imagens, submetendo a arte à simples estética e à um conceito, isso me parece retórica, ou qual seja o adjetivo para definir o descompromisso com a vida e a justiça.

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Você toma a fotografia como posicionamento diante da vida. Qual é o seu posicionamento?

Não falo de fotografia ou de música como panfletos. Falo da sensibilidade e necessidade de expressar o nosso tempo. Se sou um ser vazio, fútil, indiferente à minha existência individual e coletiva isso estará refletido na minha forma de ser e expressar. A beleza, a dignidade, a dor, tudo é um todo. Neruda fala de amor e da luta, sem ser piegas nem panfletário. São coisas intrínsecas. Guernica é um grito, e, por isso, uma das mais impressionantes criações artísticas.

O que te faz escolher se dirigir ou não para este ou aquele conflito?

O fato de ter uma identidade com a questão em conflito, e também ter que delimitá-los, pois são muitas as lutas pelo mundo afora. Defini Zapatistas, no México; Sem Terra, no Brasil; Palestinos; Curdos, sob ocupação turca; o povo Saarauís (Saara Ocidental), ocupado pelo Marrocos; Mapuches, no Chile; os índios Tupinambás, e os Ciganos, na Bahia, porque através da fotografia quero contribuir com essas causas. Esses temas estão agrupados dentro do projeto Existências-Resistências.

No seu projeto “Existências/Resistências”, você deparou com pessoas que lutavam pelo direito de existir. Em nome de que, na sua opinião, esse direito lhes é tirado?

Do óbvio que já não se quer reconhecer. O fato do mundo e da maioria dos países estarem sendo governados de forma autoritária, onde a arrogância e o colonialismo negam o direito de povos e pessoas existirem com dignidade, de se autodeterminarem de acordo com seus próprios interesses e cultura.

Em entrevista você disse crer que havendo uma consciência da realidade, é possível transformá-la. O que você faz e o que falta fazer para transformá-la? A que você atribui a opção de tantas pessoas em simplesmente aceitá-la, acomodado?

A consciência só não basta, Quantas pessoas se sentem tranquilas por julgarem-se conscientes, mas, no entanto, sem levantarem da poltrona pra fazer algo a favor do que julgam melhor. Uma coisa é a consciência social, boa intenção, e outra é sentir a dor de viver numa sociedade violenta, individualista, onde a maioria das pessoas estão mal, sem dignidade, exploradas.

Olha o exemplo da fotografia, absolutamente elitizada. Há uma grande lacuna e limite na expressão artística/fotográfica quando só uma parcela, de classe média, pode expressar-se. Agora, com as ONGs, tem se feito muitas oficinas de foto, e isso, em geral, é parte de uma lógica perversa, quando, com raras exceções, alimentam a indústria da pobreza. Nas oficinas, meninos e meninas descobrem a fotografia e revelam-se como bons fotógrafos. Logo, com o fim do projeto, a realidade sócio-econômica, exclui a possibilidade de novos e diferentes fotógrafos. A estrutura que nutre e possibilita as oficinas é mesma que impossibilita que eles se emancipam como artistas. O que faço é insuficiente até porque a fotografia não muda a realidade. Não produz rupturas. Ela informa, denuncia, mudará algo em função do que comunica, mas definitivamente, é só uma imagem. Para poder fazer algo mais efetivo, como fotógrafo e como ser humano, devemos estar conectados com outros braços, em ações culturais que afirme novos valores. Pensamos que estamos optando, e isso é um grande engano. A apatia paralisa, e nos faz tragar interesses alheios, valores mesquinhos, sem ao menos indagar se é isso mesmo que penso e quero?

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“Há dois pesos e duas medidas nessa questão: atentados são considerados terrorismo, e os assassinatos diários e bombardeios contra civis palestinos são ações militares por razões de estado”. Diante dessa sua frase devemos acreditar que ninguém é inocente? Qual é a situação de quem está no meio?

O trabalho sobre a Palestina, em particular, foi em razão dessa distorção deliberada. Qual a imagem veiculada sobre os Palestinos? Um conflito que há 50 anos é noticiado sem diferenciar as razões dos pretextos. A intenção mínima é confundir quando não desvirtuar. Os palestinos, graças à grande mídia e às agências de notícias comprometidas com os interesses sionistas são mostrados como algozes/terroristas. A lógica perversa onde a vítima vira algoz. Viu como na tragédia recente das chuvas no RJ a culpa foi para as vítimas? O livro Palestina, A Eloquência do Sangue, mostra o contrário. Acredito que o que faço contribui ao proporcionar uma informação independente, cujo propósito básico é mostrar as razões e emoções desses povos que lutam.

Por que a mídia mantém distanciamento em relação a esses conflitos?

O distanciamento como recurso para omitir e negar a existência do problema. Não é assim numa sociedade refém da TV? O que não é noticiado na TV parece não existir.

Por que, você diz, a “democracia burguesa é uma falácia”?

Uma democracia verdadeira é aquela que assegura direitos e oportunidades iguais para todos. Não na lei ou no papel, como está na Constituição. É inaceitável que a riqueza de um povo seja abocanhada por poucos, ou que a comunicação de um país seja propriedade de cinco famílias. E Que as instituições financeiras lucrem 100, 200% por ano e as ruas do país estejam repletas de indigentes. Você pode gritar, espernear, desde que esteja dentro desta ordem. Não é verdadeira a democracia sem justiça, onde a lógica de poder e a maneira de governar prioriza os interesses privados, de grupos econômicos, de latifundiários, de empreiteiras, etc. Olha a realidade do nosso país. A saúde pública, a educação pública. Acaso faz sentido delegarmos responsabilidade através do voto e acatar a democracia representativa como parâmetro? Quem manda deve obedecer, e a riqueza de um povo não pode ser roubada por uma elite voraz, cínica. Se cresço num barraco, com esgoto na porta, sem saúde, educação de qualidade, sem possibilidade de escolher se serei fotógrafo ou jardineiro, onde está o meu direito? A democracia verdadeira é incompatível com capitalismo.

Muitas vezes surgem na mídia, ou em discussões sobre ética, casos como o da tradicional foto da criança subnutrida que rastejava em direção à água enquanto urubus a cercavam esperando sua morte. Como você vê a postura desses fotógrafos que fazem prevalecer o registro fotográfico em situações em que eles poderiam agir de alguma forma para ajudar na situação que está sendo fotografada?

Cada fotógrafo terá ética, ou não. E cada situação exige uma resposta onde temos que avaliar qual a melhor atitude para não sermos nem cúmplice, nem espectador. Em todo caso, como fotógrafos, acreditamos que uma imagem pode ser eficaz, efetiva na denúncia de tragédias como essa. Acredito que podemos fazer a foto e também algo mais, ou até deixar de fazer a foto para impedir o que seria foco de uma imagem espetacular. Ao longo da história, a fotografia cumpriu papel importante para mostrar ao mundo grandes injustiças. Ocorre, no entanto, que a força e o significado da imagem pode ser diluída e distorcida, a depender da maneira como é veiculada, ou simplesmente não dizer nada se a capacidade de indignação de quem vê estiver golpeada.

Como você procura distanciar a sua fotografia da comum ideia que se tem que as fotos de conflitos são apelativas e sensacionalistas?

Faço o que sinto que devo fazer. Através da fotografia, como arte e documento, retrato a vida nos seus aspectos mais amplos; o cotidiano, a alegria, a dor e a luta.

Nas coberturas de conflitos, qual é a sua opinião sobre esse olhar que muitas vezes explicita mutilações e mortes?

Essas fotos podem ter efeito relativo. Como disse antes, a maneira como se mostra pode resultar numa banalização da tragédia, da dor, de forma a anular o efeito que se pretende, o de provocar reação, em lugar de naturalizar o absurdo. Vivemos em um tempo de grande perversidade, de confusão, onde o espetáculo dá o tom. Daí, a fotografia vive esse dilema, pois da mesma forma que pode denunciar pode vir a ser parte, também, da produção desse espetáculo que banaliza o sofrimento.

Afinal, você é fotógrafo, antropólogo, jornalista ou a união dessas três profissões?

O que somos inclui tudo. Dentro disso mais do que uma profissão, ou uma formação acadêmica, o que deve nortear é a vontade de viver numa sociedade livre e justa.

De um lado está a isenção, a imparcialidade, a objetividade. De outro está a liberdade, a subjetividade, a opinião, o olhar. De que lado você está?

Será? Pensa que é possível ser imparcial ao falar dessa realidade? A objetividade roça a subjetividade e vice-versa. Esse homem mulher dual, fragmentado, fruto de uma cultura cartesiana, ocidental, deve ser posto de lado.

E, por fim, o tema da sua palestra. Qual é a relação entre a fotografia, a política, a ética e a estética?

É simples, apesar de parecer rebuscado e acadêmico. A realidade das ruas, os conflitos em particular, proporcionam imagens fortes, e em alguns casos espetaculares. Os fotógrafos sabem disso, dos iniciantes aos mais experimentados. A maneira de ver e se relacionar com isso, como em qualquer profissão, exige um rigor ético para não cair na armadilha da foto espetacular, estetizando a realidade e a dor gratuitamente, com oportunismo artístico ou fotojornalístico. Há quem acuse Sebastião Salgado, por exemplo, de tornar bela a tragédia humana, de mostrar a dor de maneira asséptica. Isso porque, há quem diga que as imagens produzidas por ele são tão plásticas que ofusca a feia realidade que aborda. Discordo. Primeiro porque sei que ele é um sujeito sincero, comprometido, depois porque a plasticidade é intrínseca à fotografia. O detalhe que diferencia uma atitude ética de um oportunismo ou estetização banal da chamada fotografia social, ou política, ou documental, como queira, será percebido por quem ver, e, a priori por quem a faz, de forma a guardar sinceridade ou escamotear. A relação com a política e a ética decorre da posição e compromisso do cidadão fotógrafo com a vida e a realidade que retrata.

E, por fim, o tema da sua palestra. Qual é a relação entre a fotografia, a política, a ética e a estética?

É simples, apesar de parecer rebuscado e acadêmico. A realidade das ruas, os conflitos em particular, proporcionam imagens fortes, e em alguns casos espetaculares. Os fotógrafos sabem disso, dos iniciantes aos mais experimentados. A maneira de ver e se relacionar com isso, como em qualquer profissão, exige um rigor ético para não cair na armadilha da foto espetacular, estetizando a realidade e a dor gratuitamente, com oportunismo artístico ou fotojornalístico. Há quem acuse Sebastião Salgado, por exemplo, de tornar bela a tragédia humana, de mostrar a dor de maneira asséptica. Isso porque, há quem diga que as imagens produzidas por ele são tão plásticas que ofusca a feia realidade que aborda. Discordo. Primeiro porque sei que ele é um sujeito sincero, comprometido, depois porque a plasticidade é intrínseca à fotografia. O detalhe que diferencia uma atitude ética de um oportunismo ou estetização banal da chamada fotografia social, ou política, ou documental, como queira, será percebido por quem ver, e, a priori por quem a faz, de forma a guardar sinceridade ou escamotear. A relação com a política e a ética decorre da posição e compromisso do cidadão fotógrafo com a vida e a realidade que retrata.

2 mai 2010, 10:39pm
Notícias:
by Lu Renata

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Entrevista com Eder Chiodetto

eder_chiodetto

Malu Gil entrevista Eder Chiodetto

Presente no Festival nos dias 18 e 19 de Maio, agende-se:

Palestra: Henri Cartier -Bresson:  O acaso objetivo

Workshop: Os labirintos da edição em fotografia

Confira a entrevista

A maneira como a fotografia entrou na vida de Eder Chiodetto mostra que não há  nada melhor que uma decepção para darmos a volta por cima. Eder esqueceu a tristeza mergulhando na fotografia, e nunca mais voltou. Fez o curso do fotógrafo Araquém Alcântara (um dos precursores da fotografia de natureza no Brasil), e se tornou assistente dele. Fazia ensaios pessoais e entrou na faculdade de jornalismo.

Hoje Eder Chiodetto é mestre em Comunicação e Artes pela Universidade de São Paulo, jornalista, fotógrafo, curador independente e crítico de fotografia do jornal Folha de S.Paulo, veículo no qual atuou como repórter fotográfico (1991 a 1995) e como editor de fotografia (1995 a 2004). É autor do livro O Lugar do Escritor (Cosac Naify), um dos vencedores do Prêmio Jabuti 2004. Coordenador editorial da coleção de livros de fotografia brasileira FotoPortátil na editora Cosac Naify. Ministrou aulas no Bacharelado de Fotografia do SENAC-SP até o início de 2010, atualmente ministra cursos no Museu de Arte Moderna de São Paulo, além estar a frente de curadorias importantes pelo Brasil, .

Entre elas, está a exposição Henri Cartier-Bresson, sobre quem Chiodetto vem nos falar no Floripa na Foto, dia 18 de maio.

Confira a entrevista:

A maneira com que você começou na fotografia é bastante inusitada. Naquela época em que você pensava para a sua vida profissional?

Estava muito infeliz com o meu trabalho na época e pensei na fotografia como um alento, mas aí ela foi tomando conta da minha vida. Resolvi fazer jornalismo já pensando em mudar minha vida de analista de hidrocarbonetos na Petrobras pela de repórter-fotográfico. Quando a gente põe um foco preciso o universo conspira a favor. Deu certo!

Você é formado em jornalismo, foi repórter fotográfico, editor. Por que essas atividades lhe “entediaram”? De que forma as críticas que você começou a fazer na Ilustrada modificaram sua vida profissional?

As funções de repórter-fotográfico e de editor não me entediaram na verdade. Continuo fotografando e editando muito. São coisas que adoro. O problema foi a crise geral pela qual o jornalismo impresso passou e ainda passa, por não ter encontrado seu lugar ate agora após a chegada da internet. Aí o trabalho na redação foi ficando aborrecido, falta de espaço e de criatividade. Para a fotografia foi e está sendo um momento cruel. Por sorte os sites e a multimídia estão oferecendo novas e estimulantes portas.

Ano passado foi um ano muito rico em exposições de sua curadoria. O que há reservado para 2010?

De fato 2009 foi um ano inesquecível, consegui produzir três grandes exposições de forma muito legal e que deixaram saudades. Olhar e Fingir, no MAM-SP, Henri Cartier-Bresson: Fotógrafo, no SESC Pinheiros e A Invenção de um Mundo, no Itaú Cultural foram um marco na minha carreira e penso que uma contribuição importante para esse movimento todo em torno da fotografia e sua profissionalização no circuito das artes. Neste momento estou fechando a curadoria de uma exposição do grande mestre German Lorca, que irá ocorrer em Brasília e no Rio de Janeiro e em paralelo estou editando o livro dele na Cosac Naify. Outras curadorias em curso são as do Steve McCurry (fotógrafo americano que atua na Magnum) para a Galeria de Babel (SP), dos 10 anos do Clube de Colecionadores de Fotografia no MAM-SP e Do Desejo Inconfesso para a Micasa.

Depois de ter se tornado editor e crítico, você passou a ser mais rigoroso com as suas fotografias?

Sou cada vez mais um editor e curador profissional e um fotógrafo amador!

O cenário em que vivemos, em que cada vez mais amadores fazem parte do noticiário como colaboradores ou leitores-repórteres ameaça o fotojornalista? Se não, o que ainda torna o jornalista indispensável no trato com a fotografia?

Os amadores tomaram e tomarão cada vez mais conta da fotografia de instantes inesperados, das tragédias, dos acidentes, da photo opportunity. Essa fotografia de um evento que ocorre inesperadamente ou mesmo de eventos agendados. O repórter-fotográfico profissional terá que se tornar mais complexo, contar histórias em profundidade, pesquisar, se dedicar a um tema. Isso os amadores não fazem…

Em tempos de fraco fotojornalismo periódico há publicações que se salvam?

Impressas? Não!

Em entrevista você disse que “fotógrafos profissionais não devem mais pensar como fotojornalistas, mas sim como fotodocumentaristas”. Por onde começa essa nova modalidade?

Pela pesquisa, pela obstinação de contar uma história, criar uma narrativa, uma estética, uma busca pelo autoral. Há (poucas) pessoas com esse perfil na mídia impressa hoje e os que existem estão entediados por não conseguirem publicar. Nesse caso devem abrir seus blogs para almejar um lugar ao sol, até que suas empresas percebam que o bom fotojornalismo está acontecendo nas suas barbas e, quem sabe, assim elas acordarão para essa nova realidade.

Na sua opinião, como fica a função do fotógrafo em tempos em que todos estão no lugar certo, na hora certa, com uma câmera na mão e com internet? A internet pode acabar com o fotojornalismo?

NÃO! A Internet está revitalizando o fotojornalismo de uma forma incrível! Veja o Magnum in Motion, veja o Garapa, a Galeria Experiência e etc…

Por que o repórter-fotográfico nas redações de hoje perdeu seu espaço de reportagens fotográficas e está se limitando a produzir fotografias pré-moldadas?

Porque as redações viraram uma repartição do departamento de marketing.

27 abr 2010, 1:15pm
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by Lu Renata

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Lançameto de livro

ze paiva

Caros amigos


No dia 28 de Abril as 11h30
no Restaurante Uma Rosa, na Lagoa da Conceição, o fotógrafo Zé Paiva estará fazendo uma exposição de fotografias e o lançamento do livro Expedição Natureza Gaúcha. O livro foi lançado em Fevereiro no Sol da Terra reunindo um monte de gente de todo canto da Ilha, uma oportunidade pra rever velhos amigos.

Zé Paiva estará ministrando a Oficina de Fotografia de Natureza no Floripa na Foto. Duas turmas já com vagas esgotadas!!!

21 abr 2010, 12:46pm
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by Lu Renata

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Entrevista com André Teixeira

retrato andre

Malu Gil, entrevista André Teixeira.

Com vasta experiência em fotojornalismo, André estará presente no Festival no dia 20 de maio às 16h para falar um pouco da realidade do fotojornalismo na atualidade.

Com a explosão do número de câmeras digitais, cada vez mais avançadas e fáceis de usar, cada portador de uma se tornou um repórter-fotográfico em potencial. Dessa forma, o espaço para o fotógrafo de imprensa vem diminuindo, o que leva muita gente a apostar que se trata de uma categoria em extinção. O desafio de modificar esse panorama, buscando novas maneiras de atuar nesse mercado, é o tema da palestra do dia 20, de André Teixeira, Os desafios do fotógrafo de imprensa para o século XXI.

André Teixeira é jornalista, formado pela Universidade Federal do Rio de Janeiro. Começou no Departamento de Publicidade do Globo, como fotógrafo e redator. Mais tarde, fez estágio no Departamento de Fotografia do mesmo jornal, onde passou a trabalhar. Depois de um período somente como freelancer, fotografando para empresas como Petrobras, Unisys e Sebrae e revistas especializadas, voltou em 1998 para O Globo, onde atua na cobertura de cidade e faz fotos de gastronomia, arquitetura e retratos.

Confira a entrevista:

Malu- Como fotógrafo e jornalista, você acha que a fotografia e o jornalismo perdem ou ganham com esse crescimento desenfreado de repórteres e fotógrafos “amadores”?

André – Numa primeira análise, o jornalismo ganha, já que, com mais gente fotografando, mais fotos circulam e a quantidade de informações disponíveis aumenta. Ao mesmo tempo, essa fartura de imagens pode levar a uma banalização do próprio conceito de informação. A facilidade de “postar” qualquer imagem pode tirar das pessoas a capacidade de julgamento, de avaliar o que vale a pena ou não ser divulgado. Clicou, jogou na rede, essa é a regra, e é claro que com isso muita bobagem é publicada. As pessoas perdem um pouco a noção do que é ou não informação, isso acaba se refletindo na qualidade do jornalismo que produzimos e que a sociedade exige.

Para a fotografia em si, essa questão tem dois lados. A tecnologia digital te permite fotografar muito, fazer mil experiências, testar enquadramentos e fotometragens, e claro que com isso a tendência é que profissionais e amadores se aprimorem com mais rapidez. Além disso, a internet coloca na sua tela uma infinidade de fotografias, dos mais variados autores, novos ou antigos, e isso também ajuda no aperfeiçoamento de todos que curtem esse assunto. Esse é o lado positivo.

Vejo dois problemas nesse, como você diz, crescimento desenfreado. Um deles é a diminuição do espaço para os fotógrafos profissionais, já que a “concorrência” aumenta. O outro me parece mais grave: essa enxurrada de imagens que vemos a cada dia pode fazer com que nossos parâmetros sobre fotografia se percam, que passemos a aceitar como boas qualquer tipo de foto. O nível exigência em relação às imagens publicadas vem caindo assustadoramente, e com isso os bons trabalhos correm o risco de se perderem no meio de um turbilhão de fotos ruins.

andre

Malu- Quais são os novos desafios dos fotógrafos de imprensa? É mais difícil ser um fotógrafo hoje?

André- O desafio do fotógrafo de imprensa, hoje, é provar que não estamos em extinção. É mostrar que não somos dispensáveis, que nosso trabalho não pode ser trocado pelas fotos enviadas por leitores ou pelos repórteres de texto. Apresentar um trabalho que não se limite ao mero registro, trazer, sempre que possível – e nem sempre é -, fotos informativas e criativas. Só assim nossa profissão resistirá nos próximos anos.

Ser fotógrafo hoje não é mais difícil do que há alguns anos, até pela própria evolução das câmeras e de toda a tecnologia que as cercam. O que está mais difícil é conseguir espaço para exercer nossa profissão, ver nosso trabalho reconhecido como uma criação intelectual, não apenas como um registro dos fatos, que poderia ser feito por qualquer um que saiba manusear minimamente uma câmera.

Malu- A convergência das mídias, o crescimento da internet, a queda da obrigatoriedade do diploma para jornalistas… O jornalista de hoje deve buscar o que, para se firmar no mercado?

André- O fotojornalista deve se adaptar a esses novos tempos. Dominar as novas tecnologias, estar atento ao que acontece no mundo, criar pautas, dar sugestões. Oferecer algo mais do que apenas boas fotos. Um fotógrafo que sabe escrever, por exemplo, com certeza tem mais chance de sobrevivência profissional do que um que apenas fotografa.

Malu- Na sua época de freelancer você fez trabalhos institucionais. Você acredita que a partir do momento que um repórter trabalha para uma empresa, ele deixa de ser jornalista?

André- Não. Nos trabalhos que fiz para empresas, elas contratavam o repórter-fotográfico André Teixeira. Sempre fotografei à vontade nesses momentos. Agora, é óbvio que se sou contratado para fotografar para um livro do Sebrae, como já fui, vou buscar imagens positivas. Mas não são fotos publicitárias, registrei e continuo registrando o que existe, se me chamam para um trabalho desse tipo é porque querem esse olhar, esse enfoque. Agora, é preciso lembrar que o repórter-fotográfico e o jornalista podem, sem nenhum demérito, fazer um trabalho num estilo publicitário. Já fui contratado para fotografar, por exemplo, escritórios de advocacia, para os sites dos advogados. Claro que busquei a melhor luz, tentei deixar as pessoas mais bonitas, enfim, fazer tudo ficar o mais bacana possível. Isso acontece muito, nem por isso deixei de ser jornalista ou abri mão de minhas convicções por conta disso.

Malu- Depois de formado sua carreira foi majoritariamente dedicada à fotografia, você não sente vontade de voltar à redação? Sua vontade de ser repórter fotográfico nasceu na faculdade?

André- Sempre gostei de fotografia, mas entrei para a faculdade pensando no texto. Não olhava a foto como uma opção de carreira, mas a vida foi me abrindo oportunidades nessa área e acabei nela. Trabalhei muito pouco com texto em jornais, então não tenho como sentir saudades da redação. E vale lembrar que sigo escrevendo, produzindo matérias para as revistas Photos & Imagens e Photo Magazine. Trabalho num ritmo muito menos frenético, com matérias mais elaboradas, o que me agrada bem mais do que o texto do dia-a-dia do jornal.

carnaval

Malu- É a primeira vez que você vem para Florianópolis? Vai ter tempo de fotografar a cidade?

ANdré – Estive em Floripa em 2002, numa semaninha de férias. Choveu à beça, espero que dessa vez o sol dê as caras. Vou tentar umas folgas no jornal para ficar mais uns dias com minha FM2, um filme de 200 ASA e uma objetiva 24 mm, como faço em todas viagens de férias. É o suficiente para fazer boas fotos, pensando antes de cada clique, avaliando se vale a pena apertar o disparador ou não. Talvez produza uma matéria de turismo sobre a serra catarinense para o Globo, mas ainda não está certo. Se rolar, terei que levar os oito quilos de tralha que carrego todo dia, mas vale a pena.

14 abr 2010, 11:47pm
Notícias
by Lu Renata

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Entrevista com Walter Firmo

pixnguinhawalterfirmo

Foto de Pixinguinha por Walter Firmo


“Creio que a verdadeira função de uma fotografia é sobretudo educar, levando ao espectador sempre algo de novo: o ato de ver uma fotografia será sempre um ato de conhecimento”. WF


Walter Firmo , mestre da cor  e poeta da imagem marca presença no Festival ministrando um workshop inédito  “Ortografias Fotográficas” . Confira a breve entrevista e delicie-se com Walter Firmo  de alma aberta.

Lu – Walter, qual a importância da fotografia na sua vida?

WF – O ar que respiro é eminentemente fotográfico. Isto porque tudo que faço através do pensamento viajo em imagens. Seja quando articulo a palavra, seja quando vejo.Tudo são “recordações” de uma vida já vivida ou de um passado em que o futuro não terá pressa.Aos quatro de idade, montado em meu pai José, onde ele caminhava sob as estrelas com minha mãe, através de uma luminosa estradinha de terra batida, eu antevia uma lógica visual sinalizada no tempo e no espaço. E, naquele momento, pode ter sido a minha primeira fotografia virtual, montado no meu alazão.

A fotografia é ciência, história, poesia e ilusão. É também terapia ocupacional, das melhores que conheço, sem a necessidade de você deitar-se, mas, aludir-se saindo por aí realocando seus estresses, dúvidas, curiosidade, articulando também o artesão que estar em você.

Lu- E o que inspira Walter Firmo a continuar nessa lida com a imagem, tanto fotografando quanto ensinado?

WF – O fazer e o refazer, aquilo que alguém falou que nada há mais o que fazer, tudo já foi feito, mas, que você tem o direito de no caminho tentar um novo, porque todas as coisas migram diariamente.  E, então, tudo está aí para ser visto por um outro prisma.

No ensino, é que está hoje a minha salvação. Fui guindado por uma justiça qualquer ao ensinamento, passar aquilo que aprendi e que não devo apreender. Tenho, sim, que passar aos outros a maneira do saber.  É bíblico.  Além de fazer amigos e, alguns ficam para sempre, outros seguirão suas vidas acendendo uma vela para sua raiz WF, embora seus troncos, folhagens, frutos e flores serão de seus cernes mesmo.

Lu – Em sua formação, quais fotógrafos foram importantes na construção de sua linguagem fotográfica?

WF – Os humanitários Nadar, Brassai, Atget, Lartigue, Doisneau, Kertesz e Bresson.

Lu – O que você pensa sobre o fato de ser reconhecido como  “Mestre da Cor”?

WF – O tal do “reconhecimento” é um ato que interpreto como reverencia a um trabalho pela decantação da harmonia onde se assenta o belo, isto é, a complementação do espírito de um homem que se alimenta na ilusão de tudo. Mais um isto é, aquilo que todo homem anseia onde a vida “deu certo de novo, onde tudo é mágico.

Lu – Quando você compõe uma imagem, o que você considera importante? Você quer narrar uma história?

WF – Compor sempre foi meu cenário, muito embora entenda que o básico de qualquer informação seja o prático e o objetivo factual, quando, na verdade, você expõe nua e cruamente toda pedreira da verdade verdadeira. Eu, um menino de dezesseis anos queria fazer no fotojornalismo uma outra vertente de uma outra verdade, aquela que suprimisse o sangue e o óbvio. Descobrir, então, que a fotografia que eu queria transmitir ao leitor de qualquer diário era o da oração do prazer, da oratória poética, a sublimação estética. Quando escuto qualquer frase que me transporte ao literário aí estará uma imagem…

Lu – Você se considera um fotógrafo autoral ou um fotojornalista?

WF – Hoje, um autoral, mas, sem cuspir no prato que comi, porque a gente vive fazendo sem querer todos os dias, por mais que não queira, o fato, a mesmice, o óbvio, o registro.

Lu – Em que momento você decidiu abandonar o fotojornalismo com ênfase no real e optar pela criação poética das imagens?

WF – Quando comecei aos dezesseis anos de idade, queria subverter a ordem estabelecida, criar um conceito cuja medida de informação jornalística fosse da independência dos sentidos, já que, considero a poesia não uma abstração total, e, sim, uma conseqüência de somatizações psicossomáticas, psicológicas, transbordantes de nossas vivencias diárias.

Lu- Como foi o processo de construir imagens baseando-se na literatura e Guimarães Rosa?

WF – Embora pouco leia a literatura me fascina. Meio louco, não? Tenho um premio Esso de texto quando ganhei em 1963, no Jornal do Brasil, sobre uma reportagem “100 dias na Amazônia de ninguém”. Pode parecer pretensão, mas, acho que se me aposentasse da fotografia desembarcaria num porto qualquer da literatura. Se tivesse uma sobrevida ainda  de mais cinqüenta anos tentaria fazer psicologia, entrar de outra forma nas pessoas descobrindo-as de vez (?).

Revelar os autores através dos seus cantos, escritos e oboés. Escrever com a luz a psicografia emitida nos anseios literários, musicais e outros resquício de iluminação presente naquele momento “inspirado”. Guimarães Rosa\é demais para mim, do meu lado roceiro comedor de doce de jaca “à sombra de uma lua qualquer”.